Em 25 julho de 2008 foi constituída, em ato público, a “Confraria do Arinto de Bucelas”.
Com o nascimento legal da “Confraria do Arinto de Bucelas”, e no cumprimento dos seus estatutos, a Confraria comprometeu-se através de um trabalho conjunto, dinamizar a vida económica, social e cultural e dar contributo para o desenvolvimento da Vila de Bucelas.
Conta com um universo de mais de 300 Confrades, integrando uma ativa atividade de participações no Projeto de Promoção e Valorização do Território através das degustações do Arinto de Bucelas.
É membro da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal e do Concelho Europeu das Confrarias Enogastronómicas, mantendo constantes representações junto de outras
Confrarias e da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.
Tem como missão a “Confraria do Arinto de Bucelas”:
- Impor Bucelas como Capital do Arinto;
- Apoiar e divulgar estudos sobre o Arinto de Bucelas;
- Promover a Casta Arinto, maioritária nos vinhos de Bucelas, para além-fronteiras;
- Estabelecer parcerias no sentido de publicitar, defender e promover a tipicidade e o prestígio do Arinto de Bucelas;
- Proteger e preservar tradições e o património da freguesia de Bucelas;
- Dinamizar eventos, receções, provas de vinho, concursos, passeios culturais e outras manifestações que contribuam para o objetivo primeiro;
- Divulgar a gastronomia da região, valorizando-a como fator indutor para uma maior atividade económica e turística, trazendo mais visitantes e desenvolvimento à região, numa
gestão sustentada na qualidade.

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Nome do Produto: Arinto de Bucelas (vinho branco)
Descrição (dimensões, cor, aroma, textura): O vinho da casta Arinto de Bucelas, é límpido, tem na boa acidez combinando com uma mineralidade única, uma cor amarelo cítrico com laivos esverdeados. O aroma é exuberante com notas complexas de fruta tropical como maracujá, ananás, com refrescantes notas cítricas. O sabor traduz uma boa frescura vibrante dada pela excelente acidez, notas aromáticas intensas e persistentes num estilo tropical. Têm um título alcoométrico volúmico adquirido mínimo de 10,5% vol. e uma acidez fixa mínima de 4,0 g/l, expressa em ácido tartárico.
Características particulares (sinais que evidenciam a singularidade do produto): O Arinto é o nome de uma casta de uvas bancas que em Bucelas originou um vinho de qualidade impar. É um vinho seco, leve e quando envelhecido ganha um belo tom amarelo dourado adquirindo aromas terciários complexos. Esta casta produz vinhos que evoluem muito bem em garrafa, ganhando elegância e complexidade. A sua graduação alcoólica situa-se entre os 11 e os 11,5%
Delimitação da área geográfica de produção: A região foi demarcada pela Carta de Lei de 18 de setembro e Decreto de 1 de outubro de 1908. Foi criada por Decreto-Lei de 3 de março de 1911, pelo reconhecimento da sua importância a nível económico. A Região Demarcada de Bucelas, a única região portuguesa dedicada exclusivamente a vinhos brancos, abrange a freguesia de Bucelas, parte das freguesias de Fanhões (lugares de Fanhões, Ribas de Cima, Ribas de Baixo, Barras e Cocho) e de Santo Antão do Tojal (lugares de Pintéus, Manjoeira e Arneiro), do concelho de Loures.
O atual Estatuto da Denominação de Origem Controlada de Bucelas foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 377/93, de 5 de novembro.
As vinhas situadas na área mais rural do concelho de Loures, imperam numa lógica de relevo acidentado, permitindo exposições variadas e uma humidade igualmente
elevada, que é regrada e suavizada por condições de insolação elevadas. Estão instaladas nas encostas do vale do Rio Trancão e nos seus tributários, ao longo de 200
hectares, em solos predominantemente derivados de margas e calcários duros, que beneficiam de um microclima bastante frio no inverno, temperado no verão, mas com grandes
amplitudes térmicas diárias, originam um vinho excelente, hoje presente em todos os continentes e considerado um dos melhores vinhos brancos do mundo.
Ingredientes utilizados: Uva de sabor e aroma citrino. A sua cor é verde-amarelada, de bago pequeno/médio e arredondado.
Modo de preparação: O Arinto Bucelas deve provir de vinhas com pelo menos três anos de enxertia e a sua elaboração deve decorrer dentro da região de produção. As vinhas destinadas à elaboração do Arinto de Bucelas devem ser estremes, em taça, bardo ou cordão e em forma baixa, não podendo a densidade de plantação relativamente às vinhas novas ser inferior a 3300 plantas por hectare.
Os mostos destinados ao Arinto de Bucelas devem ter um título alcoométrico volúmico natural mínimo de 10,5% vol.
Na elaboração dos vinhos Bucelas, são seguidos os métodos de vinificação de bica aberta, bem como as práticas e tratamentos enológicos legalmente autorizados.
O rendimento máximo por hectare das vinhas destinadas aos vinhos com direito à denominação DOC «Bucelas» é de 70 hl.
Formas de comercialização e disponibilidade do produto ao longo do ano: Atualmente, a área de produção é de 160 hectares, distribuídos principalmente pelas encostas do vale do Rio Trancão, beneficiando do microclima típico da região, frio no Inverno e temperado no Verão.
A demarcação DOC Bucelas é a terceira menor e possui uma longa história na produção de vinhos. A região tem crescido nos últimos anos e ficado mais em evidência pela melhoria de qualidade de seus produtos, considerados dos melhores de Portugal.
Bucelas merece confiança no futuro, sobretudo em termos de sobrevivência, devido à vitalidade que expressa na elevação do número de produtores e na atual quota de vinho
comercializado, correspondendo a mais de 500.000 garrafas de produção/ano. Isto facilita a continuidade de um dos vinhos mais considerados na história vitivinícola nacional, elevando com toda a justiça o mérito da casta Arinto.
Historial do produto e Representatividade na alimentação local: Bucelas, conhecida pelos seus vinhos desde tempos remotos, regista com os Fenícios, e mais tarde, com os Romanos, os primeiros passos na produção vitivinícola. Embora tivesse sido bebido durante as comemorações da descoberta do caminho marítimo para a Índia, é com o Marquês de Pombal e com o seu interesse pela vitivinicultura do país, que Bucelas, mercê da boa qualidade dos vinhos já ali produzidos com a casta Arinto, mereceu um forte incentivo ao plantio da vinha.
No século XIX, é com as Invasões Francesas que o vinho de Bucelas adquire verdadeira projeção internacional. Foi Wellington, que no regresso das campanhas em Portugal, o
introduziu na corte de Jorge III, vindo a ser conhecido pelo nome de Lisbon Hock (vinho branco de Lisboa). Já antes havia sido referenciado por Shakespeare na sua obra “ O Rei Henrique VI”, como sendo um vinho produzido a dois passos de Lisboa, em Bucelas.
Disponibilidade do produto (em extinção, oferta contínua, recuperação): Oferta contínua
Elementos documentais (escritos, fotográficos, videográficos, etc):
A originalidade da região – e que justificou a demarcação – prende-se com dois fatores: o solo e clima. Por um lado, temos solos argilo-calcários de encosta que autorizam vários tipos de orientação e localização das vinhas; esses solos são pobres em matéria orgânica originando por isso produções baixas e vinhos com boa concentração. No que diz respeito ao clima, Bucelas, ligada ao vale do rio Trancão, goza de uma localização privilegiada, numa espécie de corredor que liga o oceano atlântico à lezíria do Tejo, recebendo do mar os ventos frescos e do rio os nevoeiros que permitem um Inverno bem frio e boas amplitudes térmicas dia/noite no Verão, com consequente perfeita maturação das uvas.
Ainda assim é possível distinguir duas zonas distintas: as vinhas que se situam ao longo das várzeas do rio Trancão, como a Quinta do Boição (Enoport) e Quinta do Avelar, zonas mais férteis e com maturações mais tardias; e em encostas suaves que ladeiam o rio – Quinta da Romeira (Sogrape), Chão do Prado e Quinta da Murta – zona menos produtiva e com maturações mais precoces. Independentemente da localização das vinhas, o Arinto assegura sempre mostos com elevado teor de acidez, o que de resto faz dela a casta mais viajante, estando por iss o presente em todas as regiões, quase sempre usada em lotes, exatamente para dar mais acidez e vivacidade ao vinho. É variedade exigente com a poda e a gestão da canópia porque, em situações limite, pode ir, das normais 7 a 9 toneladas por hectare, até mais de 20, quando não perto de 30 toneladas, assim se lhe dê alimento e se deixe que produza o que entender.
A partir dos anos 40 do século XX, até finais doas anos 80, toda a produção do Arinto de Bucelas está fortemente influenciada por João Camilo Alves, fundador das Caves Velhas, comerciante e armazenista de vinhos com marca própria, que integrava o DOC Bucelas, e grande fornecedor das inúmeras tascas, casas de pasto e comércio local, de toda a região da grande Lisboa.
O Arinto comercializado por João Camilo Alves, era um vinho muito apreciado à época, longamente estagiado em tonel, possuindo uma cor dourada e aroma de vinho velho com especial preferência de consumo em horário matinal.
No princípio da última década do século XX, iniciou-se uma profunda alteração na apresentação do Arinto de Bucelas. Esta alteração deveu-se à paixão de duas grandes figuras do vinho de Bucelas; António João Paneira Pinto e Nuno Cancela de Abreu.
António João Paneiro Pinto, bisneto de João Camilo Alves, deu início à sua própria produção, após ter recebido de herança a quinta Chão do Prado.
Por essa mesma altura, Nuno Cancela de Abreu, possuidor de uma elevada formação académica em enologia e influenciado pela longa tradição vitivinícola familiar, iniciou na Quinta da Romeira uma revolução na produção e comercialização do Arinto de Bucelas, recorrendo a novas tecnologias que associaram a utilização do inox na produção, e a colocação no mercado de um arinto jovem, com aromas mais intensos e sabor renovado.
A produção do Arinto de Bucelas, está distribuída pelos produtores : Quinta da Romeira (70ha), propriedade da Sogrape; Quinta do Boição e outras pequenas parcelas, pertencentes à Enoport United Wines (39ha); Quinta do Avelar, pertencente à família Geraldes Barba(15ha); Quinta da Murta, propriedade de Franck Bodin (14ha); Quinta Chão do Prado, pertencente a António João Paneiro Pinto, bisneto de António Joaquim Pinto Júnior e de João Camillo Alves, ambos produtores de Vinho de Bucelas desde 1880; Quinta Nova de Bucelas cuja proprietária é Carla Cordeiro; Quinta do Casal da Cruz, sendo o primeiro produtor de vinho Biológico DOC Bucelas e o Murgas Wines, propriedade de Bernardo Cabral, com 12 hectares de vinha.
De registar ainda, a ação de agentes de dinamização e comercialização do Arinto de Bucelas DOC, engarrafadores/enólogos, com especial relevo; Nuno Cancela de Abreu, Nuno do Ó, Carlos Canário, Helder Cunha e Vasco Pereira.

Localização Geográfica
Bucelas, é uma vila situada no concelho de Loures, na região da Grande Lisboa, em Portugal. Está localizada a cerca de 25 quiometros a nordeste da
cidade de Lisboa.
Bucelas, sede de freguesia, conheceu grande desenvolvimento na segunda metade do século XIX e início do século XX. Bucelas conta com as povoações da Bemposta, Chamboeira, Freixial, Serra de Alrota (na serra do mesmo nome), Vila Nova, Vila de Rei, Casal Novo da Portela e Quinta de Baixo.

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